.jpg)
Há um ano e meio atrás fiz o que seria impensável para mim, dado os complexos que tinha e ainda tenho: inscrevi-me num ginásio. Claro que essa inscrição partiu do incentivo de uma grande amiga e não me arrependo nada de a ter feito. A única coisa de que me posso arrepender é de ter desistido. No fundo, se pensar bem, foi mais uma das vezes em que desisti de mim mesma, de lutar pela minha saúde e desperdicei completamente essa oportunidade. Nessa altura eu já vivia uma batalha mental diária há muito tempo: por um lado queria mudar e se possível de um dia para o outro, mas ainda não estava totalmente disposta a apostar naquilo que custa fazer, no espírito de sacrifício. Hoje sei que estava errada e não deixa de ser engraçado reflectir sobre aquilo que eu era há bem pouco tempo atrás e naquilo em que me estou a tornar. Sim, pouco a pouco, vou sentido uma grande mudança em mim, sobretudo do ponto de vista psicológico. Claro que também vou constatando as mudanças externas, mas trabalhar simultaneamente o meu interior é uma das minhas prioridades e nesse aspecto sinto que os meus "treinos" me têm ajudado muito. E em que medida é que eles me ajudam? Ajudam-me porque me vou colocando à prova, vou-me desafiando a mim própria a dar sempre mais de mim, a tentar evoluir, o que acaba por me ajudar a desenvolver a minha força mental, a capacidade de me focar naquilo que é essencial para eu mudar e que até aqui eu praticamente desconhecia. Para dar um exemplo, quando andei no ginásio, para além de fazer passadeira, bicicleta e remo, descobri a paixão pela bicicleta elíptica, mas nessa altura eu não conseguia fazer mais de trinta minutos sem ficar bastante cansada. De tudo o que fazia no ginásio, a elíptica sempre foi o que mais gosto me deu a fazer e o exercício que mais me fez suar. Há dois meses e meio atrás quando iniciei este meu processo de mudança, embora já tivesse uma elíptica em casa, optei por começar a fazer caminhadas longas e diárias, das quais também aprendi a gostar muito. No entanto, no domingo passado decidi subir novamente para a elíptica e ver o que conseguia fazer. Equipei-me, peguei no mp4 e lá fui eu. Comecei o meu exercício e uma hora depois lá terminei. Pensei para mim: "boa, já fizeste o dobro do que fazias, há que continuar". Ontem ao fim da tarde decidi novamente subir para a elíptica, mas confesso que já ia com a ideia de fazer uma hora e meia! E a verdade é que fiz mesmo. Saí da elíptica completamente suada, como se tivesse andado à chuva, nem sei descrever, mas soube-me tão bem ter conseguido! Sabe bem conseguir vencer aquela voz que nos leva a parar quando ainda temos energias para fazermos mais. Estou a aprender a gostar de trabalhar esta característica que todos temos, mesmo que por vezes esteja escondida: a força mental. E penso que se houver um factor-chave para chegarmos onde queremos mais facilmente, esse factor será, certamente, a nossa própria mente.